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Crítica a quem produz na tal da Internet

quarta-feira, 30 de abril de 2008

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Este post é uma visão particular minha sobre essa tal mídia chamada “Internet”. Na verdade, não sobre a Internet em si e sim sobre seus “especialistas”.

Talvez a minha visão seja um pouco agressiva e radical. Mas é esta a intenção. Acho que por mais que ouvimos falar de investimentos altos na internet, web 2.0, inclusão digital e etc, este meio falta muito para amadurecer e sabe de quem é a culpa? Sua, dele, NOSSA, sim, nós que trabalhamos diretamente com a Web.

Muito se falava sobre o “sobrinho” (frase comum na área de vendas de web: “ah meu sobrinho faz para mim, por bem mais barato”) lembra disso? Hoje, sumiu um pouco esse discurso. Mas para quem não acompanhou este fato, era algo diário em listas de discussões falarem mal de desenvolvedores ruins ou amadores, carinhosamente chamados de “sobrinhos”.

Estamos em 2008, evoluímos muito, hoje temos padrões web, microformats, usabilidade, arquitetura de informação, gerência de projetos, ruby on rails, .net, AJAX, web 2.0, Orkut, RSS e por ai vai. Mas será que mudou muita coisa realmente?

Imagem de dois homens brigando

Eu tenho minhas dúvidas, pois, mesmo estando em 2008 ainda vejo discussões acaloradas entre designers e clientes querendo cada um mostrar que é mais competente que o outro. Um quer que a interface seja do jeito dele, porque ele quer assim. O outro quer que a interface seja do jeito que ele quer, porque assim é mais bonito (se você conseguir adivinhar quem é quem te pago um chopp). Tudo bem querer algo bonito. Mas o que é bonito? Isso não é meio relativo? E o usuário não entra neste processo?

Em nenhum momento NINGUEM percebeu que a interface estava sendo criada em cima de GOSTOS PESSOAIS e não de NECESSIDADE do usuário, ou seja, ia sair um site bonito (ou não), mas e a funcionalidade? Será que era isso que o usuário queria? Custava sentar com o público alvo e ver o que eles achavam?

Uma pergunta interessante:

VOCÊ volta em site constantemente por que a interface dele é bonita ou por que o conteúdo te agrada? (logicamente que devemos considerar que uma boa interface pesa, mas e se você tivesse que escolher entre os dois?)

Beleza versus Conteúdo

Depois de mais de 15 anos de internet, grande parte dos desenvolvedores não acordaram que a internet é uma mídia aonde as pessoas investem para ter RETORNO e não simplesmente porque está sobrando dinheiro e ela vai fazer caridade com alguém “jovem” da área de internet.

Retorno de Investimento

Muita gente reclama do cliente não pagar o que ele pede. Mas por que será? Alguém já parou para pensar que o cliente pode ter tido uma experiência ruim e por isso não valoriza tanto a web?

Quando ele fala que o “Fulano” cobra apenas R$500,00 para fazer o projeto, nós geralmente ficamos constrangidos, desvalorizados e etc. Mas qual a nossa diferença para o “Fulano” quando falamos em benefícios ao cliente? E não estou dizendo de você usar AJAX e Photoshop CS3 e sim qual o retorno? Por que ele deve fazer o projeto contigo e não com o outro?

Legal, você tirou centenas de certificações, leu bastante livro e sabe fazer ótimas interfaces e aplicativos ricos. Mas isso vai trazer o que o cliente quer? Lembra da pergunta acima? Será que esse projeto “transado” vai fazer seu cliente vender mais ou receber mais contatos?

Muita gente ainda vende (e xinga) cliente achando que internet são interfaces bonitas e que ele é melhor que o "sobrinho" porque ele conhece alguns filtros a mais no Photoshop CS3. Mas o cliente não quer saber disso. No fundo, ele sempre quer uma coisa: RETORNO

E não me venha com argumentos do tipo: “ah não tenho culpa que ele não investe em mais meios para divulgar o site”. E o os buscadores e redes sociais? Quanto custa para um bom posicionamento no Google nos resultados orgânicos? NADA

“Ah, mas ele tinha a verba muito pequena”. Fácil, não aceitasse o projeto oras. Você vai ao mercado e compra o suco mais barato de todos e ainda reclama que ele não tem a qualidade do Tang?

É fácil, se ponha no lugar dos outros. O cliente tem aquela verba. Você sabe que ele não teve boas experiências com a internet e que ele não tem tanta visão. Então, você aceita embolsar a grana dele e ainda reclama?!

O problema disso é que virou um círculo vicioso que muitas vezes desvaloriza a área: Cliente investiu em um projeto há anos atrás. Ele não teve retorno. Você vai à reunião refazer o projeto e cobra "caro" pela tecnologia. Ele reclama. Você abaixa o preço. Ele investe. Você desenvolve de qualquer jeito porque ele não tem visão e não te pagou o que devia. O projeto não trás retorno. Ele fala mal do desenvolvedor e da web e adivinha!? Começa tudo novamente em um looping talvez infinito.

Looping entre cliente, desenvolvedor e internet

A AgênciaClick em 2000 adotou a campanha “Chega de brincar, internet é coisa séria” (ou algo similar) e tinha um ursinho (carinhosamente chamado de Teddy por eles) sem a cabeça. O que ela enxergou nesta época, muita gente não enxergou até hoje. A internet é um meio de comunicação e investimento (e consecutivamente retorno) igual a todas as outras mídias, só que muita gente não entendeu que nós temos uma função e que o futuro da internet e a valorização da mesma dependem de cada um de nós.

Por que empresas preferem pagar R$40.000,00 por uma ÚNICA página na Revista Veja? Porque eles sabem que terão retorno, pois a Revista Veja preocupa-se em trazer retorno E provar com estatísticas e etc. Mas e nós? Muita gente não conhece nem o Google Analytics nos dias atuais. Então, como mensurar resultados?

Uma única pergunta

Você cobrou R$10.000,00 por um projeto e o cliente faz a seguinte proposta:

“Vamos fazer assim, eu te pago R$20.000,00 após 6 meses de entrega do projeto se eu tiver retorno, senão, eu te pago apenas R$5.000,00, você aceita? Pense que te pagarei o dobro se obtiver retorno, senão, pagarei metade”

Você aceitaria? Pense bem, a pergunta é “Você confia no seu trabalho realmente e está pronto para a internet?”

É importante entendermos que a Internet mudou. Hoje, existem dezenas de novas funções e áreas. Os investimentos estão maiores, o número de acessos aumentam constantemente, a demanda de trabalho e de novas agências e profissionais também está aumentando. Mas nós estamos prontos para fazer a diferença e nos consolidarmos neste meio? Você individualmente terá seu trabalho reconhecido e se manterá na internet como O desenvolvedor ou será mais um entre tantos? Pense nisto...

Ainda falarei sobre o assunto em outro post. Pretendo sugerir algumas coisas que podem fazer a diferença para cada um de nós no meio de tanta informação e concorrência nos dias atuais. Então até a próxima.

Um grande abraço!

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Comentários:

gabriel lobato:

sábado, 21 de março de 2009

teste


Alexandre Formagio:

terça-feira, 6 de maio de 2008

Poxa João, Tang é bonzinho vai...rs

Excelente ponto levantado, como saber quem são os bons profissionais?

Essa idéia eu falei algo semelhante na lista de Arquitetura de Informação, pois perguntaram quem eram os grandes nomes de AI e disse que era complicado, pois conhecemos poucos, pois estes geralmente trabalharam em projetos grandiosos e ai é mais fácil ter o nome por ai e é complicado saber quem foi o Arquiteto do projeto X, por exemplo.

Essa idéia de um banco de dados de desenvolvedores dos projetos seria bem interessante para todos. Pois muita gente fica escondido atrás de um grande projeto e com isso, seria mais fácil saber quem participou, assim conseguindo outros projetos e até quem sabe virar uma referencia na área.

“também em relação ao lado dos CONTRATADORES de serviços de internet. Eles não têm como saber onde está a qualidade e onde não está, a não ser que se tornem especialistas no assunto também”

Gostei bastante deste ponto, ficou bem claro. Nós passamos por isso quando entramos em uma área que não conhecemos, por exemplo, o primeiro carro. Não conheço nada de carro e o vendedor está falando que esse modelo é bom, devo confiar!? É complicado realmente.

Grande abraço e obrigado pelo ótimo comentário


João Bruni:

terça-feira, 6 de maio de 2008

Na minha opinião, Tang é um suco de péssima qualidade. Para falar a verdade, eu nem chamaria de suco! Fiquei chocado com a comparação.

Fora isso, o problema está muito bem exposto, e o convite à reflexão muito bem colocado para os profissionais da área que querem fazer um serviço com qualidade.

Em mim, fez levantar a reflexão também em relação ao lado dos CONTRATADORES de serviços de internet. Eles não têm como saber onde está a qualidade e onde não está, a não ser que se tornem especialistas no assunto também... estou refletindo sobre essa questão: R$40 mil numa página de revista se justifica porque é fácil para o investidor compreender aonde está investindo... agora, o mesmo valor na internet... quantos investidores têm capacidade de compreender como e de onde virá o retorno...

Sem falar no lado dos desenvolvedores... existem desenvolvedores capacitados para "dar conta do recado"? Quem são? Onde estão? Na "click"? Na "infinito digital"? Na "locaweb"?

A impressão que tenho é que os mais capacitados estão DESENVOLVENDO os diversos sites que usamos e nem sequer percebemos, pelo fato de a experiência ser tão suave. Estes desenvolvedores não têm tempo de fazer seus sites e propagandas... estão bem empregados.

Lanço uma sugestão: um serviço onde digitaríamos o endereço de um SITE e tivéssemos de retorno QUEM desenvolveu o site.

Por exemplo: quero saber quem desenvolveu o site da Livraria Cultura: digito "www.livrariacultura.com.br" e obtenho a resposta.

ABRAÇOS! FELICIDADES A TODOS!


Alexandre Formagio:

terça-feira, 6 de maio de 2008

@Karine: Eu não quis entrar neste lado de experiência com o usuário, pois esse é um ponto que sempre falo e acho que tudo o que falei, se resume exatamente neste ponto.

Acho que sem estudos, pesquisas, entrevistas e etc, é IMPOSSIVEL saber bem o que o "usuário" on-line quer, já que o comportamente do usuário on e off podem ser totalmente diferentes.

Nunca li este livro do Norman, mas vai para a minha listinha de compras :)

Sobre o Analytics ele é a PONTA do iceberg, pois como você mesmo disse, ele não responder as perguntas sobre pensamento, desejos e etc e tentar adivinhar isso, é meio impossivel e iria totalmente contra a psicologia cognitiva.

Grande abraço e obrigado pelo super comentário :)


Alexandre Formagio:

terça-feira, 6 de maio de 2008

@Dado: Acho que nem tenho o que adicionar, MUITO legal sua visão como designer.


Dado:

terça-feira, 6 de maio de 2008

Eu nem tinha comentado nessa ainda =D

Muito boa a sua visão, já haviamos conversado várias vezes sobre várias coisas aí do artigo e realmente pouca gente tem visão para as coisas, mesma coisa acontece sobre a visão com relação ao design, é errado encarar o design apenas como um "deixar as coisas bonitas" na verdade não é essa a verdadeira função do design, pouca gente ve que o design é um solucionador de problemas, um facilitador da vida das pessoas, ninguém ve que olhando ao redor tudo que a gente ve tem um toque de um designer pensando em melhorar cada vez mais a vida de todo mundo.

Acho que o dia que os clientes perceberem isso, muita coisa vai melhorar para nós que somos os tals designer...rsrs

grande abraço feio!


Alexandre Formagio:

terça-feira, 6 de maio de 2008

@Guilherme: Poxa, o Inside Gui? Um dos caras que li muita coisa para aprender webstandard, que prazer em te-lo no meu blog :)

E fico feliz com essa sua v~isão, muito boa mesmo. Pena que muita pouca gente pensa assim.

Grande abraço


Guilherme Rambo:

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Muito bom. Não estamos aqui para fazer sites bonitos e encher os olhos dos clientes, estamos aqui para RESOLVER PROBLEMAS. Este é o papel dos desenvolvedores, designers e etc. O cliente tem um problema, e acha que um site ou sistema pode resolvê-lo, então nos chama. Se nosso trabalho resolver o problema que ele pensava que pudesse ser resolvido, missão cumprida. Caso não, é preciso pensar e lembrar que não devemos aceitar trabalhos apenas pelo dinheiro, mas aceitar trabalhos com a proposta de resolver o problema do cliente.

[]'s


Karine Drumond:

sábado, 3 de maio de 2008

Completando...

O Analytics responde a algumas perguntas mas nao responde as princiapais "Quais as motivações dos suários para estarem no site?" e como esta sua..."Porque eles voltam ao site" por exemplo...

Pesquisa qualitativa com usuário, se bem feito, é um excelente e poderoso instrumento de retorno sobre investimento.


Karine Drumond:

sábado, 3 de maio de 2008

Gostei do post, bons questionamentos, principalmente por já ter passado por vários destes dilemas...

Bom meu pensamento é o seguinte...

Retorno de investimento vem com satisfação do usuário, experiência do usuário, esta ligado, dentre uma porção de cosias, com "necessidades dos usuários", o que por sua vez é tão subjetivo e vago quanto a palavra "usuário". Quem são os usuários do seu site? (por usuário entendo todos os que de certa forma, são influenciados diretamente pelo uso do site). Então, normalmente não são "usuário" mas "grupos de usuários" O que eles querem? O que é realmente importante para ele? Quais são as necessidades reais? Como acomodar estas necessidades ?

Sem pesquisa, sem conhecer os usuários é impossível responder.

Somente respondendo a estas perguntas é possível responder a sua ("VOCÊ volta em site constantemente por que a interface dele é bonita ou por que o conteúdo te agrada?"). Estética é um dos elementos da experiência, não o unico.

Eu volto em um site porque ele de alguma forma ele atendeu eficientemente a alguma das minhas necessidades. Acho que o conceito do Norman de emotional design (The Emotional Design) que inclui os 3 níveis (visceral, comportamental e reflexivo) explica bem o porque gostamos tanto de um produto (ou porque voltamos em um site).


Alexandre Formagio:

sábado, 3 de maio de 2008

Augusto,

Concordo contigo que ambos andam de mãos DADAS, mas o que é o fator FINAL para você voltar? Pense naqueles blogs feitos em wordpress que mais 80 blogs usam template igual, por que você volta nele?

E sim o Analytics é um bom primeiro passo para provar o ROI, mas com certeza o cara deve gostar de estatisticas e mais do que isso SABER O QUE FAZER com elas, não adianta ter centenas de números e não saber seu significado.

E se você for de SP, te pago um sim, mas Skol!? hahahah

Abraço


Alexandre Formagio:

sábado, 3 de maio de 2008

Ligia,

Obrigado pela sua visita e feedback.

Sobre seu texto: Resumindo, não adianta o cara ser bom na prática, se ele não souber vender seu serviço.

Concordo contigo que você disse, excelente mesmo seu ponto de vista. O grande problema é que a galera muitas vezes quer a coisa mastigada e acaba já falando que cliente é burro e ignorante, não entende que o cliente tem o ponto de vista dele e muito menos que ele não é tecnica, até porque se ele fosse, ele mesmo faria as criações.

Acho que em todas as disciplinas de graduações, pós, MBA e etc, deveria ter aulas de relacionamento com ser humano e aula de vendas e etc. Muitos podem achar que não são vendedores, mas estamos vendendo idéias a todo o momento.

Grande abraço


Augusto:

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Oi Alexandre. Problemão esse que você levantou. Quanto maior o poder do cara de entender e fazer a internet, maior poder de fogo e retorno financeiro vai ter. Vou levantar 3 pontos:

1. "VOCÊ volta em site constantemente por que a interface dele é bonita ou por que o conteúdo te agrada?" É impossível responder essa pergunta. Mesmo que algumas pessoas respondam, elas não vão estar sendo 100% sinceras. Interface e conteúdo são duas coisas que estão totalmente ligadas na experiência do usuário.

2. O Analytics pode justificar o retorno do investimento, mas acredito que é preciso de gente bem especializada, filtrando e trazendo dados claros e reais: quantidade VS qualidade.

3. Meu chopp pode ser da Skol! :)

Abraço!


Ligia Fascioni:

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Oi, Alexandre! Gostei bastante do seu texto. Enquanto lia, visualizava aquelas insuportáveis páginas totalmente escritas em Flash e cheias de pegadinhas (escrevi um texto há algum tempo e vou reproduzi-lo no meu blog).

Sobre designers e sobrinhos, também já escrevi algo a respeito, veja se você concorda: http://ligiafascioni.wordpress.com/2007/11/30/designers-e-micreiros/


Alexandre Formagio:

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Exatamente, mas o grande ponto (que falarei depois) é colocar a TECNOLOGIA em segundo lugar, de nada adianta ter um Porsche se ele não passa de 30km :D


henrique:

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Esse post mandou muito bem!Hj em dia é o dilema que vivemos na web.Será que trará retorno ou não o projeto?!Muita gente pensa só no layout e faz coisas mirabolantes(isso é valido para sites de apelo visual como uma campanha de um chocolate ou suco etc) mas site que precisam ser diretos ao usuário querem inovar assim caindo nesse dilema levantado pelo post: Beleza x Conteúdo.Acho que hj na web temos que tem a medida dos dois.Fazer um site bem modelado com informações de fácil acesso ao usuário e de boa apresentação(que envolve layout cores etc).Assim traremos o resultado do nosso cliente.

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alexandre formagio

Alexandre Formagio

Agência Infinito Digital

www.alexandreformagio.com.br

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